Crônicas da caixola

A/C Rio de Janeiro

31 de julho de 2017

Ir embora não é fácil. Mas, no meu momento, mais difícil seria ficar. Tenho exatos sete dias para me despedir. Você me deu lugares e me apresentou pessoas impossíveis de esquecer.

Mas, a gente diz ‘tchau’ o tempo todo mesmo, não é?! Só que não percebe.

Penso em locais que ganharam um pouco de mim e eu tenho a obrigação e o prazer de ir lá agradecer.

Obrigada por ter me emprestado tantas vezes o Arpoador. Aqueles quarteirões que o cercam guardam poesias, agonias, novidades e felicidades. Foram cúmplices e por vezes observadores da minha vida. Sofri, vi, vivi, amanheci e bati palma para os pores do sol.

Foi ali que aprendi a ler e escrever, a nadar e depois desaprender, assim como andar de bicicleta. Você lembra das minhas tentativas, né?! Foi ali também que conheci o teatro e saí da posição de espectadora.
Maldita timidez! Foi o palco que me mostrou a Juliana que eu poderia ser. Nervosismo, brincadeira, improvisação, exatidão e aplausos.

Hora de ir atrás de outros frios na barriga, novas gargalhadas, novos sorrisos – alguns de canto de boca – novos choros, só que de alegria, mais pele queimada do sol, mais dieta nova, mais textos e inspirações, novos livros, novas cores e nuances, outras ironias, novos talentos, novos encontros, outros ‘eita’, ‘que lindo!’ e ‘carambas’. Novas histórias são pouco. Eu quero é destrinchar cada personagem. Me colocar no lugar do outro e enxergar novos pontos de vista, ler nas entrelinhas e desvendar futuros.

Novos ares também são pouco. Frio é frio. Calor é calor. Mas, cheiro não. O cheiro da cidade é diferente. Eu quero voltar e pensar ‘ô Cidade Maravilhosa, quanto tempo. Que que você tem pra me contar?’ Vou querer sentir o cheiro de brisa e lembrar como a geladeira da casa do Posto Seis enferrujava por sua causa. Quero teu samba e o batucar que só de pensar já me deixa arrepiada. Quero tudo! Mas não agora.

Tem também outros cheiros para provar por aí. Dou uma pausa – talvez aquela de mil compassos. Mas eu sei, tanto quanto você, que amor que é amor não se acaba assim.

Se cuida, viu?

Eu te amo!

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